A História do Boi

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Querida comunidade de Areté,

como sabem, receberemos pela terceira vez em nossa Festa Junina a visita do Boi. A vivência dessa tradição cultural brasileira está brotando aos poucos em nossa comunidade. Este ano, teremos ainda mais pessoas dançando, brincando, tocando e cantando.

 A inspiracão do Boi que visita Areté vem do Grupo Cupuaçu, fundado por Tião Carvalho (artista-músico-educador), no fim da década de 80, a partir de um trabalho com danças brasileiras no Teatro Vento Forte.
 Tião e o Cupuaçu tem levado a cultura do bumba-meu-boi maranhense para vários lugares do país.
 Eles encenam o auto do Boi em três festas ao longo do ano: nascimento, batizado e morte-partilha no Morro do Querosene (Vila Pirajussara), comunidade que fica no início da Rodovia Raposo Tavares.

Ano retrasado, Tião esteve na escola e deu sua “benção”, feliz por ver o desejo de fazer nascer em Areté uma relação íntima com essa tradição tão rica. Compartilhamos abaixo uma das muitas versões que existem sobre a História do Boi, para que vocês possam conhecer e se aproximar um pouquinho mais, e até contar para as crianças, se sentirem vontade. E também as toadas já tradicionais da visita do Boi em Areté, para vocês ouvirem e cantarem com as crianças!

Uma pitadinha do universo do Boi pra começar a temperar nossa vontade de aproximação com as vastas e ricas raízes e matrizes que compõe nossa cultura brasileira.

Ê Boi! Boi! Boi!

A HISTÓRIA DO BOI

Numa madrugada quente, em uma casinha no meio da fazenda, Catirina abriu os olhos:


– Ai que vontade de comer uma gostosa língua de boi!



O desejo foi crescendo, crescendo, crescendo tanto dentro dela que ficou maior que o sono. Ela virava pra um lado, virava pro outro e nada do sono voltar. Levantou e foi até a janela olhar a lua. Foi então que avistou um boi sob o luar, um boi enorme, lindo, forte, o boi mais bonito de toda a fazenda! O desejo fez cócegas dentro dela!

 Foi acordar o marido:


– Francisco, acorda! Eu preciso comer língua de boi! Você sabe como é desejo de grávida – enquanto não comer a língua não consigo mais dormir.


- Catirina, tá de madrugada…que idéia maluca é essa de comer língua de boi?


- O pior é que não é a língua de qualquer boi não…é a língua do boi preferido do dono da fazenda, o boi mais forte e bonito de toda região.


- Ah Catirina, esse boi não! É o querido do dono, um touro maravilhoso, pra lá de especial!



Catirina insistiu tanto, tanto, que Francisco acabou por ouvir o pedido da mulher. Saiu de madrugada, matou o boi e pegou a língua pra Catirina comer. Depois de se fartar ela caiu num sono profundo, muito satisfeita.

No dia seguinte, ai que arrependimento!
 O dono da fazenda, passeando pelos campos, percebeu o sumiço do seu boi preferido e ficou muito bravo, muito triste. Boi como aquele não há muitos pelo mundo…aonde estaria seu boi querido?

Francisco resolveu contar toda a verdade e, mesmo com medo do que poderia acontecer, confessou ao patrão que ele tinha matado o boi.
 Ao saber da morte do bicho, o homem ficou desesperado. Mandou chamar todo o povo dos arredores. Índios, vaqueiros, curandeiros, o padre, o médico…todo mundo foi convocado pra tentar ressucitar o boi.
 Fizeram orações, mandingas, dançaram e cantaram  em volta do boi durante todo o dia.

A energia de todo mundo junto foi tanta que o boi começou a se mexer e devagarinho foi ganhando força e saúde de novo até sair dançando numa festa que durou a noite toda.

 E o povo todo comemorando junto a volta do boi precioso!

 

 

 

 

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