Educação Infantil

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A educação infantil, na Escola Livre Areté, acontece em uma atmosfera de acolhimento, como a própria casa da criança.


Para realizar seu crescimento orgânico e as conquistas do andar, falar e pensar, a criança se entrega ao adulto e ao ambiente. Através da confiança neste adulto que atua no mundo criativamente, tecendo, cozinhando, contando histórias, a criança tem uma referência digna de imitação para a saúde do seu brincar.


O respirar das salas segue o respirar da natureza, num pulsar ritmado, conduzido pelos educadores, entre momentos de inspiração/concentração (histórias, trabalhos manuais, desenho, aquarela, preparação do alimento, euritmia) e expiração/descontração (brincar livre, sem direcionamento do adulto, dentro ou fora de sala).

Este ritmo, por sua vez, se conecta ao respirar da criança, gerando um fio de conexão, reconhecimento, e assim, de confiança no mundo e em si.

O MUNDO É BOM!

O MATERNAL

 1- relativo a mãe; materno

2- que evoca a relação da mãe com o filho

O maternal é o lugar, a casa, em que educadores criam um ambiente acolhedor externo (estrutura física) e interno (alma dos adultos) para que as crianças (12 crianças em média) possam se desenvolver de maneira saudável e plena.

As salas são como as casas, com cozinha, sala e quarto e há um lindo quintal com árvores, areia, água e muitas plantas.

 

 


Nesta primeira fase da vida, até mais ou menos os 3 anos de idade, as crianças estão desenvolvendo capacidades básicas e essenciais que as tornam humanas. Através dos movimentos elas se apropriam do seu corpo, da sua “casa” e aprendem a andar, trilhando seu caminho. Através da linguagem, da fala, elas se relacionam com a cultura de onde estão inseridas e passam a se expressar de diversas formas. É neste momento também que as crianças mais velhas percebem pela primeira vez sua individualidade e querem exercitá-la.


Enquanto as educadoras cuidam da casa, cozinhando, cuidando do jardim, varrendo, lavando louça, as crianças têm a oportunidade de realizar sua atividade primordial, o brincar livre, que elas levam tão a sério quanto o próprio trabalho do adulto, e assim, aos poucos, vão se apropriando do mundo.

Entre um trabalho e outro, o adulto auxilia a criança a desenvolver sua autonomia, através de processos aparentemente simples, triviais mas tão importantes, como: tirar e por sapato e roupa, lavar as mãos, desfraldar, estar a mesa. Toda as atividades são realizadas com muita alegria, plenitude e confiança na criança. E cada conquista dela é celebrada pelos adultos e apreciada com muita veneração.

É na relação de um para um, no encontro entre professor e criança, que se cria o vínculo e a confiança no mundo.

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Areté possui duas salas de maternal (uma no período da manhã, e outra a tarde), com crianças de 2 a 3 anos e meio, aproximadamente).

O JARDIM

Assim como no Maternal, o ritmo rege o vivência das crianças no Jardim, que alternam momentos de expansão e contração, como uma respiração. Elas brincam livremente dentro de sala, ajudam seus professores na preparação dos alimentos para o lanche, e ajudam a organizar a sala, imitando o gesto de seus educadores em tais tarefas, como, colocar a mesa, arrumar as cadeiras, e depois, varrer, limpar, lavar, secar, guardar. Em um momento posterior, vão para o pátio, onde tem a possibilidade de fazer movimentos de expansão e descontração, novamente em um brincar livre, ou ajudando seus professores em atividades no jardim, como plantar, cavar, recolher troncos e folhas, lixar tocos de madeira e cabaças.

No Jardim, os educadores oferecem algumas atividades a cada dia da semana, convidando as crianças a criar, por exemplo, desenhos com giz, aquarelas, trabalhos manuais com linhas, usando os dedos. E também trazem às crianças a vivência da Euritmia e das Rodas Rítmicas, momento em que os professores contam uma estória, com versos, músicas e acompanhada de movimentos. O conteúdo e imagens das estórias é escolhido de acordo com a época do ano.

Os Contos de Fadas também passam a fazer parte da rotina das crianças, que recebem tais estórias logo antes de retornarem às suas casas.

Todas essas experiências desenvolvem a coordenação motora ampla e fina, a percepção visual, auditiva, tátil, olfativa, gustativa, a concentração, a linguagem oral, a orientação temporal e espacial, a lateralidade, o convívio e a socialização.

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Areté possui 4 salas de jardim (3 no período da manhã e 1 no período da tarde), com crianças de 3 anos e meio a 6 anos.

Os ritmos e o brincar saudável

Na pedagogia antroposófica, partimos do presuposto de que tudo que é vivo, respira. Inspira e Expira. Ora estamos dentro, ora fora, ora contraimos, ora nos expandimos, ora estamos em nós, interiorizados, ora estamos fora, no e com o mundo. É a isso que chamamos de ritmo.

Quando a criança tem a possibilidade de viver essa alternância de ritmos, nos momentos de expansão, nos quais vai para o espaço externo e se encontra com a natureza e os materiais orgânicos, ela vai explorar ainda mais seus sentidos, e levar para o brincar livre tudo aquilo que viveu no momento anterior, de inspiração.

Assim, num primeiro momento, de inspiração, ela se ativa internamente. E num segundo momento, ela se movimenta e se expressa, não apenas corporalmente, mas colocando todo seu universo interno no mundo.

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Por isso, a não condução das crianças pelos adultos nesse momento, que chamamos de brincar livre, é tão valiosa. Dessa maneira, cada criança poderá buscar a expressão e a elaboração do que recebeu, a partir das suas necessidades, sua singularidade e da sua forma.

E ao ter a possibilidade de sentir seu mundo, e o mundo orgânico e vivo, ela começa a ser capaz de dar sentido às coisas. E pode mergulhar em um brincar que promove saúde, um brincar saudável.


Costumamos dizer que a criança brinca com seriedade. Quando ela brinca ela faz para si, sem esperar nada em troca. Ela é livre. Livre para explorar, criar, experimentar, montar e desmontar, se jogando no desconhecido.


Propiciar um ambiente que possibilite essa experiência é essencial. Se à criança não é oferecido esse ambiente, ela perde a possibilidade de exercitar tudo isso. Nesse sentido, entendemos que o brincar infatil é uma ponte para um trabalho saudável quando adultos.

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A criança e o movimento

Uma criança, para estar saudável, precisa de movimento. É a partir dele que ela vai conhecer seu corpo e seu potencial, garantir o desenvolvimento de seu corpo físico, e também emocional e psiquico. E assim, poder sentir o mundo, se relacionar com ele e com os outros.


O ambiente da escola propicia que a criança esteja em constante movimento. Movimento que parte dela, e não é direcionado, e que é tão importante para que ela vá, passo a passo, se apropriando de si, adentrando e conhecendo seu corpo, sua “casa”.


Dessa forma, tem a oporunidade de perceber como ele pode se relacionar com o mundo e descobrir os caminhos e os recursos para expandir seu potencial nesse viver.

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 A vivência do sagrado

Podemos dizer que a respiração da Terra se expressa nas estações do ano, vivenciadas com devoção no dia-a-dia, a partir dos elementos encontrados na natureza, experiências do brincar, alimentos, objetos, cores de cada estação. Este ritmo das estações é vivenciado concomitantemente pelas crianças e toda a comunidade escolar com as festas que marcam o calendários cristão (Páscoa, São João, Micael e Advento/Natal).


Os educadores inspiram as crianças a olhar para as coisas triviais, para a natureza, para o alimento de forma sagrada, realizando as atividades e a relação com o outro e com o mundo com profundo respeito e reverência. Dessa forma, o trivial não torna-se banal. Esse é o alimento espiritual que a pedagogia antroposófica entende como fundamental: semear nas crianças uma atitude de veneração, de contemplação do belo, de respeito e gratidão, que no futuro auxiliarão na construção de uma ética e estética do adulto perante o mundo.


A pedagogia antroposófica reconhece o aspecto sagrado da natureza na possibilidade de morrer e renascer a cada época do ano, a partir de seus ritmos. Assim, viver as Festas Cristãs significa resgatar os ritos de renovação e transformação propostos pelo fluxo da vida, por meio de elementos da natureza e pela ritualização dos símbolos mais fortes daquela época. As festas, carregadas de elementos artísticos e culturais, fazem esse religare do homem com Sua natureza pela arte, pelos símbolos que cada festa evoca, e pelo sentimento de amor e veneração que inspiram, individualmente e coletivamente.

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Vivência das Épocas

:: Páscoa

A Páscoa é uma festa que está ligada aos sentimentos mais profundos da humanidade e com os mistérios do Cosmo. Desde os primórdios do cristianismo a festa foi importante e sempre esteve ligada com o impulso da ressurreição, regeneração e possibilidade de superação.

No domingo de Ramos começa a Semana Santa. Os acontecimentos da semana santa podem ser associados ao processo de desenvolvimento humano, sobre o qual podemos refletir e encontrar relação com nossa própria vida. Esses acontecimentos compõem uma via sacra através da qual podemos trilhar verdades existenciais que podem ser associados aos processos pelos pelos quais passamos no decorrer de nossas vidas, quando estamos diante de algum problema ou desafio e precisamos superá-lo.

No decorrer da vida nós passamos por várias “mortes” ou transformações previsíveis e esperadas. O bebê ao crescer, gradativamente deixa de existir para dar lugar à criança, a criança dá lugar ao adolescente e o adolescente dá lugar ao adulto. Na vida adulta mudanças continuam acontecendo através das nossas escolhas pessoais ou não, mudanças como: casamentos, filhos, escolhas profissionais, menopausa, etc.
A capacidade de atravessar desertos que só existem na alma, carregar “cruzes” simbólicas e depois de um processo de transformação ressurgir ou “ressuscitar”, renovado é humano. Assim como acontece em um processo depressivo, na elaboração de um luto, em um processo de separação de um casal, com pessoas vítimas da síndrome de pânico e outros.

Cristo fez o processo por todos nós, ele mostrou o caminho que deve ser percorrido na alma internamente. Estas etapas são:
Negação: “Afasta de mim este cálice!”.
A primeira reação que temos quando estamos diante de um problema realmente grande ou difícil é a negação. Não queremos acreditar que esteja de fato acontecendo ou que seja mesmo comigo, comigo não.
Reconhecimento: “… o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca”.
Depois de verificar que não há como negar, vem o reconhecimento, passamos a carregar a cruz que nos cabe. Vamos em busca de caminhos para solucionar a questão.
Identificação: Vem então uma sensação de que se está pregado na cruz, eu sou a cruz e a cruz sou eu, isto é, vem a aceitação, entendimento e compreensão quanto ao que se está vivendo.
Ressurreição: Transformação ou superação, novas habilidades são adquiridas, novos pontos de vista, renova-se a postura diante da vida.

A Semana Santa nos oferece uma possibilidade de reflexão e conexão com nossa própria vida.

Cada educador, em sua prática pedagógica em sala de aula, trabalha o espírito dessa época de uma forma, oferecendo às crianças a possibilidade de vivenciar a morte e ressurreição, e os processos de tranformação por meio de metáforas e imagens simbólicas, como a borboleta, os ovos, a transformação da mandioca…

A longo das semanas, elas entram em contato com esses elementos, por meio das canções, das rodas rítmicas, das histórias, e de elementos visuais e cores que passam a integrar o ambiente da sala.

Construção do aprendizado pela força de imitação da criança 

Estando nesse ambiente da casa, os educadores realizam fazeres domésticos, as atividades fundantes do seu humano: lavar, cortar, descascar, preparar o alimento, varrer, arrumar, dobrar, limpar, secar….

Esse trabalho, desempenhado pelo adulto com entrega, concentração e devoção, se torna digno de ser imitado. Longe de ser um fazer mecânico, o gesto do educador é pleno de sentido, de presença e reverência, trazendo às crianças a possibilidade de vivenciar os processos de forma completa (com início, meio e fim). Isso a preenche, a faz encontrar sentido e calma interior. Ela percebe e reconhece o percurso feito.

E, dentro dessa atmosfera, ela é convidada a imitar. Porém, o que ela imita não é apenas o fazer em si do educador (com o qual ela se movimenta, desenvolve aspectos da coordenação motora, da percepção, do equilíbrio e dos sentidos), mas também uma postura ética e estética perante o mundo.

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Os bons hábitos, a autonomia e os limites

Toda a condução dos educadores no dia-a-dia escolar busca trazer às crianças repertório para que elas possam desenvolver recursos internos que gerem oportunidades de se superarem.
Os limites e o encontro com as frustações, são assim, elementos importantes para o seu desenvolvimento. Eles alimentam o querer e a vontade, para que, no futuro, ela seja capaz de fazer as suas escolhas.

No cotidiano da escola, os educadores auxiliam a criança a desenvolver sua autonomia, através de processos aparentemente simples, triviais, mas tão importantes, como: tirar e por sapato e roupa, lavar as mãos, estar a mesa, se alimentar, guardar e organizar seus pertences, arrumar e organizar a sala, conquistar novos desafios em seu brincar…

Abre-se a possibilidade de que ela possa fazer por si mesma, exercitando não apenas a atividade proposta, mas principalmente a sua vontade. Cada nova conquista é celebrada como algo grandioso!

Ao realizar por si, a criança reconhece seu potencial e amplia seu querer por novos desafios.

O tempo e a vitalidade

Um dos aspectos mais importantes para a pedagogia antroposófica é dar às crianças o alimento correto na idade correta. Toda a prática pedagógica está pautada no olhar ampliado para o ser humano, atento às necessidades de desenvolvimento que cada etapa do crescimento e da vida desses seres pede.

A antecipação de experiências pode gerar uma grande desorganização interna da criança.

A arte

Na pedagogia antroposófica, a arte permeia toda a vivência e o fazer cotidiano da criança na escola. Isso se traduz não apenas na proposição às crianças de vivências artísticas, como desenho, pintura em aquarela, trabalhos manuais com lã e linhas e música, mas também com o cuidado estético em todos os ambientes em que a criança está inserida: o gesto, o tom da música e da voz do educador, os materiais apresentados em sala e no contato com a natureza.

Entendemos que a aprendizagem que privilegia apenas o intelecto dificilmente atinge o ser humano por inteiro. As emoções e sensações que acompanham a experiência de aprender dão sustentação ao que é captado intelectualmente. A expressão artística, presente em todas as áreas do conhecimento, favorece e possibilita essa integração, ao expor livremente os anseios e emoções humanas. Quando a informação é elaborada no intelecto (pensar), passa pelos órgãos dos sentidos (sentir) e determina uma vontade (agir), ela se transforma em conhecimento. Pensar, sentir e agir, integrados, abrem o caminho da aprendizagem plena, e que oferece a cada indivíduo a possibilidade de construir seu pensamento, de conhecer mais de perto seus sentimentos, se integrar ao universo, e assim, fortalecer sua ética, para escolhas que tragam, no futuro, sentido à sua vida.

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Contos de Fadas

Os Contos de Fadas são histórias preenchidas por imagens universais e arquetípicas que alimentam e curam nosso interior.

Contadas e ouvidas por séculos, ao longo da história da humanidade, eles apresentam dimensões da vida humana sem uma moral estabelecida, mas com conceitos e símbolos abertos o suficiente para que cada um, a partir da sua singularidade, se conecte às imagens e à força que carregam, para reestabelecer sua ética e seu lugar no mundo.

No Jardim, as professoras trazem esse alimento cotidianamente às crianças, oferecendo-lhes imagens que lhes permitam se organizar, vencer desafios internos e externos. Tais imagens trabalham curando e ajudando cada ser a expandir o seu repertório de emoções, de lugares e vínculos dentro da vida social.