Ensino fundamental

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A Escola Livre Areté estrutura seu currículo do ensino fundamental considerando as necessidades específicas da criança de 7 a 14 anos de idade, fundamentada sobre os princípios do estudo da antropologia antroposófica da criança. A cada ano escolar, o currículo busca atender estas necessidades e proporcionar o desenvolvimento pleno e saudável de cada criança, ou seja, nos âmbitos físico, emocional, intelectual, social e moral, assim como respeitando o ritmo individual da criança.


Durante a trajetória do ensino fundamental, cada grupo de crianças é acompanhado por um professor de classe. O conhecimento científico é vivificado e cada professor de classe apresenta os conteúdos de Língua Portuguesa, Matemática, Ciências, Geografia e História de forma imagética, mobilizando o interesse e os sentimentos de cada criança. Estes conteúdos são organizados nas chamadas épocas, módulos com duração aproximada de quatro semanas. A introdução dos conteúdos é sempre de forma vivencial, a partir do movimento, e passo a passo os conteúdos vão sendo apropriados pela criança.


A arte é o grande condutor do ensino nesta etapa. Como disciplina específica, se manifesta como Euritmia, arte do movimento desenvolvida por Rudolf Steiner e ministrada apenas em escolas antroposóficas em todo mundo, e como Trabalhos Manuais, Artes Aplicadas, Artes Plásticas e Música. Mas a arte no ensino fundamental é mais que disciplina específica. A arte permite que a criança possa expressar-se de maneira individual, através da poesia e da música, da pintura e da modelagem, mas com o desafio de empenhar-se de forma séria e dedicada a essa execução artística. Por este motivo, todo o ensino tem um caráter artístico.

O MUNDO É BELO!

 

Aprender em movimento | sala de aula móvel

A Escola Livre Areté é a segunda escola no Brasil a adotar o modelo da sala de aula móvel. Em nossa sala de 1º ano, carteiras e cadeiras foram substituídas por bancos e almofadas.

O professor Martin Carle, formador de professores na Alemanha, visitou o Brasil em 2014 e 2015, apresentando a proposta da sala de aula móvel e do aprender em movimento. Nestas ocasiões Martin Carle diferenciou estes dois conceitos importantes:

:: sala de aula móvel, que pressupõe o mobiliário diferente, que é utilizado também de forma diversa;

:: aprender em movimento, que é uma forma de trabalho que considera o movimento e o social como fundamentais para a aprendizagem, em todos os anos escolares.

Nesse sentido, é possível tanto um aprender sem movimento com bancos, como um aprender commovimento com carteiras.

A partir da observação da necessidade das crianças de hoje em dia de aprender em movimento e no social, nossa opção segue fazendo sentido. É na grande roda que as crianças formam grupo que trabalha junto, assim como os hábitos necessários ao aprender, envoltórios necessários para que vivências de movimento e imagens significativas abram caminho para muitos aprendizados através do coração. Buscamos também uma grade horária que respeite a necessidade fundamental de brincar livremente, momento de tão rico crescimento e aprendizagem da infância.

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O trabalho em épocas

IMG_5506Na pedagogia antroposófica, ritmos e alternâncias estão sempre presentes de variadas formas.

No maternal e no jardim da infância,o respirar entre atividades mais concentradas e outras mais expansivas, como por exemplo ouvir histórias e brincar livremente, proporciona às crianças harmonia e equilíbrio.

No Ensino Fundamental, a distribuição dos temas em épocas se fundamenta na importância que um período de repouso tem no processo de aprendizagem.

Para consolidar o aprender, o esquecimento é fundamental. No primeiro ano escolar a alternância ocorre entre as épocas de desenho de formas, letras e números, cada uma com duração de aproximadamente quatro semanas.

 

 

Desenho de formas

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“Ao desenhar e vivenciar, nos primeiros anos escolares, formas simples e suas transformações com todas as suas qualidades, as criançås desenvolvem a capacidade de uma compreensão dinâmica interna das formas.”

Tobias Richter

Os desenhos de formas são iniciados a partir de movimentos corporais grandes, traçados no ar, passando gradativamente para movimentos pequenos, até chegar finalmente ao traçado na folha de papel.

Esse trabalho exige dos alunos precisão, postura e perseveerança. À medida que a criança aprende, por meio de movimentos, a se orientar no espaço da sala de aula e do caderno, ela fortalece seu eixo interior.

 

Trabalhos Manuais

IMG_5324“Crianças que aprenderam na juventude a criar com a mão objetos artísticos úteis para os outros e para elas mesmas de uma maneira adequada, não ficarão, como adultos, alheias ao ser humano e à vida. Saberão, de maneira artística e social, enriquecer e dar forma fecunda à existência e ao convívio com os outros…”

Hedwig Hauck, primeira professora de trabalhos manuais da primeira Escola Waldorf em Stuttgart

Os alunos entram em contato com a lã bruta, a sua lavagem, cardação manual e fiação. Por meio de imagens e histórias, olhos e dedos começam a manusear os fios. Iniciam pelos cordões de nós e em seguida aprendem a montagem dos pontos nas agulhas. Fios vão tomando formas com o processo do tricotar, arrematar e costurar.

IMG_4732As professoras acompanham individualmente cada criança. De acordo com as capacidades – motora e de compreensão – mostradas pelos alunos, os trabalhos se tornam diferenciados, tanto em complexidade, quanto em quantidade.

Respeitando os ritmos individuais, os trabalhos manuais trazem desafios e felizes conquistas para cada uma das crianças ao longo do ano.

 

 

Pintura em aquarela e desenho em giz de cera

IMG_5359“As cores são a alma da natureza e de todo o cosmos, e vivenciando a vida das cores nós participamos desta alma.”

Rudolf Steiner

A arte permeia todo o currículo da Pedagogia Waldorf uma vez que, ao estimular a imaginação, a concentração e a criatividade, amplia-se o potencial de aprendizado em um nível que transcende meramente o da memorização.

Ao pintar e desenhar a partir de histórias que introduzem às crianças as letras e números, elas criam imagens internas para essa experiência de encontro com o conhecimento.

Na aquarela vivenciamos as qualidades dos amarelos limão e ouro, vermelhos cinabre e carmim, e azuis ultramar e prússia. Cada cor chegou sozinha e depois as conversas entre as cores começaram a acontecer.

Com o desenho de giz de cera exploramos as imagens das histórias e das épocas de forma livre e também dirigida, utilizando o giz de cera bloquinho para criar superfícies

Além dos conteúdos descritos, o currículo do ensino fundamental conta ainda com aulas de Línguas Estrangeiras, Educação Física e Jardinagem.

 

Música

IMG_5354“A música fala ao Homem, e ele vivencia a linguagem desta em sua alma.”

Tobias Richter

Em relação à educação musical da criança, Rudolf Steiner partia do princípio de que o Ser Humano e a Música são inseparáveis, devendo ser considerados como uma unidade pelo fato do desenvolvimento da música acontecer paralelamente ao desenvolvimento da humanidade.

A música acompanha e expressa o caminho do ser humano de uma vivência mais espiritual, cósmica, em direção a um estado de consciência cada vez mais físico e terreno. Este caminho é percorrido pela humanidade como um todo e por cada criança em seu desenvolvimento individual.

Até o nono ano de vida, quando a criança conquista um estado de consciência mais distinto do seu entorno, o ambiente musical mais coerente é aquele criado pelo “intervalo da quinta” (entre as notas Dó e Sol). Nossos alunos aprendem um rico repertório de canções infantis populares, mas sempre, de novo, vivenciam melodias com este tom harmonioso e “sonhador” do intervalo de quinta, com o qual podem se identificar animicamente.

 

Euritmia

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Euritmia é uma arte do movimento, desenvolvida a partir de um impulso de Rudolf Steiner para tornar visíveis sons poéticos e musicais.

Nas aulas do 1º ano, no grande círculo, são introduzidos contos de fadas, narrados pelas crianças por meio de gestos e movimentos.

São trabalhados:

:: Destreza: motricidade, lateralidade, coordenação;

:: Ritmos: curto e longo no correr, pular, bater palmas;

:: Formas: reta, curva, espiral.

 

Religiosidade

A pedagogia antroposófica reconhece o aspecto sagrado da natureza na possibilidade de morrer e renascer a cada época do ano, a partir de seus ritmos. Assim, viver as Festas Cristãs significa resgatar os ritos de renovação e transformação propostos pelo fluxo da vida, por meio de elementos da natureza e pela ritualização dos símbolos mais fortes daquela época. As festas, carregadas de elementos artísticos e culturais, fazem esse “religare” do homem com Sua natureza pela arte, pelos símbolos que cada festa evoca, e pelo sentimento de amor e veneração que inspiram, individualmente e coletivamente.

No ensino fundamental, trabalha-se também o desenvolvimento e o cultivo de uma atitude religiosa perante os fenômenos do mundo, gratidão perante o divino, o humano e a natureza.

Vivencia-se o decurso do ano cristão e suas festas, nas quatro épocas do ano:

:: Páscoa

A Páscoa é uma festa que está ligada aos sentimentos mais profundos da humanidade e com os mistérios do Cosmo. Desde os primórdios do cristianismo a festa foi importante e sempre esteve ligada com o impulso da ressurreição, regeneração e possibilidade de superação.

No domingo de Ramos começa a Semana Santa. Os acontecimentos da semana santa podem ser associados ao processo de desenvolvimento humano, sobre o qual podemos refletir e encontrar relação com nossa própria vida. Esses acontecimentos compõem uma via sacra através da qual podemos trilhar verdades existenciais que podem ser associados aos processos pelos pelos quais passamos no decorrer de nossas vidas, quando estamos diante de algum problema ou desafio e precisamos superá-lo.

No decorrer da vida nós passamos por várias “mortes” ou transformações previsíveis e esperadas. O bebê ao crescer, gradativamente deixa de existir para dar lugar à criança, a criança dá lugar ao adolescente e o adolescente dá lugar ao adulto. Na vida adulta mudanças continuam acontecendo através das nossas escolhas pessoais ou não, mudanças como: casamentos, filhos, escolhas profissionais, menopausa, etc.
A capacidade de atravessar desertos que só existem na alma, carregar “cruzes” simbólicas e depois de um processo de transformação ressurgir ou “ressuscitar”, renovado é humano. Assim como acontece em um processo depressivo, na elaboração de um luto, em um processo de separação de um casal, com pessoas vítimas da síndrome de pânico e outros.

Cristo fez o processo por todos nós, ele mostrou o caminho que deve ser percorrido na alma internamente. Estas etapas são:
Negação: “Afasta de mim este cálice!”.
A primeira reação que temos quando estamos diante de um problema realmente grande ou difícil é a negação. Não queremos acreditar que esteja de fato acontecendo ou que seja mesmo comigo, comigo não.
Reconhecimento: “… o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca”.
Depois de verificar que não há como negar, vem o reconhecimento, passamos a carregar a cruz que nos cabe. Vamos em busca de caminhos para solucionar a questão.
Identificação: Vem então uma sensação de que se está pregado na cruz, eu sou a cruz e a cruz sou eu, isto é, vem a aceitação, entendimento e compreensão quanto ao que se está vivendo.
Ressurreição: Transformação ou superação, novas habilidades são adquiridas, novos pontos de vista, renova-se a postura diante da vida.

A Semana Santa nos oferece uma possibilidade de reflexão e conexão com nossa própria vida.

Na prática pedagógica junto às crianças, cada educador trabalha o espírito dessa época de uma forma, oferecendo às crianças a possibilidade de vivenciar a morte e ressurreição, e os processos de tranformação por meio de metáforas e imagens simbólicas, como a borboleta, os ovos, a transformação dos alimentos…

A longo das semanas, elas entram em contato com esses elementos, por meio das canções, das histórias, e de elementos visuais e cores que passam a integrar o ambiente da sala.

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:: João

:: Micael

:: Advento

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