Escola Associativa

Uma comunidade que constrói junto | princípios da gestão participativa

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Somos uma escola associativa. Quem já ouviu e viveu a experiência, se encanta e fica fascinado com as possibilidades que se apresentam. Quem nunca ouviu falar, fica aquela dúvida…mas entender é fácil!


Pais, professores e associados são os responsáveis pela escola.
Todos são convidados a participar coletivamente com o seu melhor. E ao participar, se responsabilizam pelas tomadas de decisões e ações efetivas na gestão da escola.


Diferente das escolas tradicionais, não existe a figura de um diretor ao qual o pai se reporta quando algo não está de acordo com suas expectativas. Aqui, pais e professores são os responsáveis por cuidar de todas as questões operacionais que envolvam a manutenção de uma escola: gestão financeira, relação entre as pessoas, comunicação, festas, cursos, obras de ampliação, brinquedos externos, mobiliário de aula e materiais. Enfim, tudo que uma escola necessita para funcionar. E tudo isso, juntamente ao trabalho dedicado e diário dos nossos funcionários da escola, que cuidam de todo o trabalho de secretariado, manutenção e organização de Areté.

O objetivo não é gerar lucro, mas trabalhar na abundância de recursos existentes: tanto recursos humanos (talentos e habilidades da comunidade), como recursos financeiros: são todos utilizados em prol da escola.

Como é feita essa gestão, pode variar de uma escola associativa para outra. Cada uma tem seu próprio estilo de fazer. Criado a partir do convívio diário de pais no levar e buscar as crianças, nas conversas de corredor, nas reuniões e encontros de classe, nos mutirões de trabalho. Diversos pontos de contato que geram uma força de participação, que trazem a certeza do potencial que o trabalho coletivo tem. Coisas inimagináveis acontecem!

Em uma escola associativa você vai trabalhar. Pode esquecer aquele hábito tão entranhado de reclamar e esperar que alguém resolva. Aqui suas críticas e opiniões são ouvidas. Sua voz se une a tantas outras que partilham dos mesmos sonhos ou indagações. Mas não quer dizer que os desejos de todos são satisfeitos o tempo todo. Você é convidado a encarar novos pontos de vista e aprende. Aprende muito. E em grupo, sempre em grupo, as decisões são tomadas. E aí você trabalha mais. Para criar, desenvolver e implantar o que tanto deseja.

Comunidade é uma palavra que você vai ouvir bastante em nossa escola. Tão pouco usada e tão vazia de significado nessa nossa São Paulo, aqui ela recupera sua importância. Seria possível saber os nomes de todos os amigos de seu filho e os pais da sua sala? Sim. E vai saber também o nome de tantas outras pessoas que irão trabalhar ao seu lado em diversas situações. Morando perto ou longe, estarão ao seu lado nos momentos de dificuldade, ajudando nas horas de necessidade.

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Mas, afinal, o que está por trás de tanto trabalho e envolvimento de todos?

A proposta da gestão participativa é criar um espaço para o desenvolvimento evolutivo e espiritual de cada ser que compõe a comunidade escolar. As três instâncias (associação, pais e colegiado de professores), trabalham juntas e solidariamente para proporcionar ao seu principal foco, as crianças, o cultivo e a prática da beleza, do amor e da verdade. Assim, cada instância busca também seu próprio crescimento.

Aqui, todos somos co-responsáveis pelas escolhas e pelo caminho a ser percorrido. Cabe a nós ampliar nossa consciência e ser capazes de criar uma rede de sustetação de nossos próprios interesses. Não haverá alguém que cuidará dos nossos desafios e questões. Somos nós mesmos a encará-los. E é justamente esse compromisso em ação que nos leva para o caminho da liberdade.

Se você não havia entendido o por que da palavra LIVRE no nome de nossa escola, aí está o sentido. E é esse o maior exemplo e legado que queremos deixar para nossas crianças e para a sociedade do agora e do amanhã, que será construída nas pegadas dos seres que estão a se desenvolver em Areté.


Conheça os princípios da nossa escola associativa

Quando Rudolf Steiner, filósofo criador da Antroposofia, fundou a primeira escola antroposófica, ele a criou pautada também por uma nova visão de cidadania e relação social, culminando desta maneira, na autogestão para uma escola realmente LIVRE.

Tradicionalmente, as escolas waldorf são escolas antroposóficas, que buscam resgatar, para realizar essa autogestão, os princípios de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, renovando-os dentro do ambiente escolar.

Essa autogestão é compartilhada por três instâncias formadas por professores, pais e associados, que seguem os três princípios:

:: Liberdade: princípio praticado pelo Colegiado de Professores. É a instância responsável por zelar pelos princípios e pela prática da pedagogia antroposófica junto às crianças, além de desenvolver um caminho de autoeducação e incentivar ações culturais e sociais para o desenvolvimento físico e espiritual da comunidade escolar.

:: Igualdade: é a Associação Aicó, fundadora e mantenedora da escola, quem a pratica. Composta, hoje, por pais e professores que se reuniram em torno do sonho de Areté e fundaram a escola, a associação é a instância responsável pelo patrimônio físico e o gerenciamento humano. É responsável legalmente pela escola, e zela pelos valores que a fundaram.

:: Fraternidade: princípio praticado nas Comissões de Trabalho e nas reuniões chamadas Ampliadonas, nas quais as três intâncias (pais, professores e associados) se encontram para trabalhar e construir a escola juntos.

Comissões de Trabalho

As Comissões de Trabalho são o espaço onde as três instâncias, pais, professores e associados, se encontram para trabalhar e pensar nas necessidades concretas da escola. Existe uma série de comissões em Areté, e em cada uma existe pelo menos, um professor, um associado e um pai. Dessa forma, a comissão tem representatividade para ser autônoma.

Assim, estar em uma comissão significa perceber e entender as necessidades da escola, refletir sobre elas, e criar processos que tragam soluções e ações para as necessidades.

Muitas vezes, as ideias e potenciais soluções encontradas para alguma questão são partilhados com toda a comunidade (normalmente em uma reunião Ampliadona), quando as decisões e encaminhamentos são validados. Assim, uma das formas que qualquer pai, professor e associado tem para atuar em Areté é por meio das Comissões de Trabalho.

Mas para participar da construção da escola, é preciso estar dentro de uma Comissão, ou existem outras maneiras?

Sim! Existem muitas outras formas de participar da construção da escola ativamente. Existe o trabalho dentro das salas de aula, realizado junto aos professores. Existem os mutirões e a ajuda na realização e organização das festas. Ou até mesmo o desejo individual de contribuir de alguma forma com a escola.
No entanto, ao decidir estar fora do trabalho das comissões, você se exclui do momento de criação de processos, reflexão, avaliação de decisões estratégicas para a evolução da escola. Em uma reunião Ampliadona você poderá conhecer o que as comissões estão realizando, e poderá trazer o seu olhar e observações a respeito dos temas, mas o momento de criação acontece dentro das comissões, em um trabalho contínuo ao longo do ano.

[ Saiba mais sobre como atuam na página das Comissões de Trabalho.]

Reuniões Ampliadonas

As reuniões Ampliadonas são fóruns abertos de apresentação, discussão e encaminhamento de ideias, que, estimulam a integração social das famílias e cuidam dasnecessidades da escola coletivamente. Este fórum se reúne uma vez por mês, na escola. E ele é, literalmente, um espaço de todos. Isso quer dizer que a pauta da reunião é criada coletivamente, entre pais, professores e associados.

É nesses encontros que as comissões de trabalho compartilham processos do que têm feito, e validam decisões. Bem como associação e colegiado.

É nesse espaço que, coletivamente, os temas relevantes são colocados na roda, olhados por muitos ângulos, levando em consideração o lugar que cada um ocupa dentro da comunidade escolar. Nesse sentido, podemos criar um panorama rico e aprofundado sobre uma questão. E todos somos convidados à escuta, a nos movimentarmos para chegarmos, consensualmente, a um encaminhamento satisfatório.

Você pode pensar: “Que complexo!”

E sim, é um processo que demanda mais tempo e disposição de todos, mas que certamente nos traz enormes aprendizados e percepções, e a partir do qual podemos encontrar caminhos mais criativos e interessantes. Um convite a criar, de fato, junto, a escola que sonhamos e desejamos para nossos filhos.

Esse organismo vivo, que é a escola, e com essa proposta de gestão, gera muitos fluxos de comunicação e interação. Interação humana, afinal, o nosso maior objetivo é a educação, que só pode acontecer por meio de uma profunda, aberta e amorosa interação. Gestão participativa não quer dizer que todos os nossos desejos e opiniões serão atendidos. Quer dizer que há um espaço aberto para a escuta, para a troca e construção coletiva. Assim, confiança e gratidão são palavras chave nesse processo. Perceber que todos estão ofertando o seu melhor, ainda que de forma diferente da sua, ou de uma maneira que ainda não havíamos acessado. É no reconhecimento do outro, e na gratidão pelo que foi feito, que nos engrandecemos também, e nutrimos forças para trabalhar coletivamente com confiança, entusiasmo e alegria.

Reuniões Ampliadas

As reuniões Ampliadas são reuniões que acontecem uma vez por mês na escola, entre o Colegiado de Professores e a Associação Aicó, para que essas duas instâncias possam refletir sobre temas que envolvem os valores da escola e da pedagógica antroposófica, e assim, tecer vínculos e práticas cada vez mais fortes para o caminhar da escola na direção da sua evolução, buscando sempre tomar as decisões colocando o foco principal nas crianças.

O trabalho dos pais junto aos professores

Além de todos os fluxos apresentados para que a gestão da escola aconteça, não podemos deixar de falar da presença cotidiana das famílias junto aos educadores, no trabalho em sala de aula com as crianças. Cada educador convida os pais a uma participação íntima para a criação do ritmo e da harmonia do grupo de crianças. É um trabalho em parceria. Afinal, educadores são todos os adultos que estão presentes na vida das crianças, dando os exemplos que ela necessita para encontrar confiança e um terreno fértil para florescerem.

Esse convite acontece para a:

:: presença nas reuniões pedagógicas;
:: presença em reuniões individuais;
:: contribuição semanal para a alimentação das crianças;
:: colaboração com os horários propostos para a chegada e partida das crianças;
:: para a manutenção e cuidado com o espaço da sala de aula e utensílios e objetos que compõe o espaço físico da sala;
:: para os mutirões;
:: para a produção e trabalho nas diversas festas que acontecem ao longo do ano.

O grupo de pais também escolhe uma pessoa, o representante de classe, que contribui imensamente para a organização das tarefas e dos diversos fluxos de comunicação entre:

:: professores e pais;
:: escola e pais;
:: comissões de trabalho e comunidade;
:: associação e comunidade.

Como não existem coordenadores ou diretores em uma escola antroposófica, a intenção é que pais e educadores criem laços fortes de confiança. E que os pais procurem sempre, diretamente os professores quando estiverem com alguma questão pedagógica. Novamente vemos aqui a interação humana ganhando foco. Pode não ser fácil trazer alguns assuntos para um educador, ou vice-versa. Mas certamente é dessa maneira que poderemos evoluir e crescer como seres humanos, e nos tornarmos cada vez mais aptos a contribuir na educação de nossos filhos.